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Audiência Pública sobre o Caso Joyce, feminicídio e violência psicológica

Na manhã desta segunda-feira, 16 de junho, a Assembleia Legislativa do Estado do Acre (ALEAC) foi palco de uma audiência pública marcada pela emoção e por fortes apelos por justiça. A iniciativa, proposta pela deputada estadual Dra. Michelle Melo, teve como foco o conhecido “Caso Joyce”, que envolve a morte de Joycilene Sousa de Araújo, de 41 anos, uma mulher acreana que teve sua vida interrompida em circunstâncias que ainda estão sendo investigadas.

Joyce, como era carinhosamente chamada por familiares e amigos, foi vítima de feminicídio após meses de sofrimento emocional, que, segundo relatos, envolveram violência psicológica severa e manipulações afetivas por parte do então namorado, Thiago Borges, natural de Minas Gerais. A dor e a comoção popular que o caso gerou no Acre ganharam voz e representatividade no parlamento acreano.

Um espaço de escuta, denúncia e construção de soluções

A audiência reuniu familiares de Joyce, representantes de movimentos sociais, organizações de direitos humanos, especialistas em segurança pública, autoridades do Judiciário, Ministério Público, Defensoria Pública e também integrantes da área policial.

O objetivo foi mais do que debater o caso específico, a proposta da Dra. Michelle Melo foi abrir um espaço de escuta e articulação, promovendo diálogo direto entre a sociedade e o poder público. Durante o encontro, temas como a falta de estrutura das políticas de proteção às mulheres, a morosidade nas investigações e a necessidade de novas legislações foram debatidos de forma aberta e intensa.

Dor que ecoa em muitas mulheres

Um dos momentos mais emocionantes da audiência foi o depoimento da Jaqueline, irmã de Joyce. Em lágrimas, ela relatou como a vítima sofreu violência psicológica por meses antes de sua morte. Ela pediu justiça não apenas por sua irmã, mas também por todas as mulheres que vivem situações semelhantes de abuso emocional.

“Minha irmã morreu aos poucos. Ela sofreu violência psicológica todos os dias. E muitas outras mulheres estão vivendo isso agora, em silêncio, com medo, com vergonha”, desabafou.

Visivelmente emocionada, a deputada Dra. Michelle Melo fez um discurso forte e carregado de sentimento. Ela afirmou que Joyce foi vítima de uma sucessão de falhas do Estado e da sociedade, que não conseguiram protegê-la a tempo.

“Joyce morreu dia após dia. Cada dia era uma morte emocional, psicológica, social. E o estado falhou em dar o suporte que ela precisava. Isso não pode se repetir. Não podemos permitir que haja novas Joyces”, afirmou a parlamentar.

Projeto de Lei sobre estelionato sentimental

Um dos principais encaminhamentos da audiência foi o anúncio, pela deputada Michelle Melo, da apresentação de um Projeto de Lei (PL) sobre o estelionato sentimental. O tema, também abordado por outras autoridades durante o evento, trata da manipulação emocional com fins financeiros e de controle psicológico, que foi uma das violências vividas por Joyce.

“O estelionato sentimental precisa ser reconhecido como uma forma de violência contra a mulher. Muitas mulheres são manipuladas, usadas emocionalmente e depois descartadas. Isso precisa acabar”, destacou a deputada.

A advogada Tatiana, representante da Comissão da Mulher da OAB/AC, reforçou o alerta: “Matar uma mulher ou fazer com que ela tire a própria vida também é feminicídio. Precisamos reconhecer a gravidade das violências psicológicas que muitas mulheres sofrem em silêncio” .

Carta de Joyce será levada ao Congresso Nacional

Durante a audiência, a deputada Dra. Michelle Melo anunciou ainda que, junto a outros órgãos e entidades participantes do encontro, estará encaminhando a carta escrita por Joyce ao Congresso Nacional. A intenção é sensibilizar deputados e senadores sobre a gravidade do caso e a necessidade urgente de legislações mais eficazes para proteger as mulheres da violência emocional e psicológica.

“A carta de Joyce é um grito de socorro, é o retrato do que muitas mulheres vivem todos os dias. Ela precisa ser ouvida em todo o Brasil, precisa chegar ao Congresso Nacional para que nenhuma mulher mais precise escrever uma carta de despedida por conta da dor que está vivendo”, declarou a deputada.

A audiência pública não foi apenas um ato formal. Foi um grito coletivo por justiça, dignidade e mudanças reais. Para a deputada Dra. Michelle Melo, o caso de Joyce representa uma ferida aberta que precisa de respostas concretas.

“A luta por justiça não termina aqui. Vamos continuar cobrando, legislando e, principalmente, escutando as mulheres que ainda estão vivas, mas que podem estar vivendo o mesmo pesadelo que a Joyce viveu. Por ela e por todas as outras, não vamos parar”, concluiu a deputada.

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    Durante a audiência pública na ALEAC, a irmã de Joyce também relatou sofrimentos antigos da mãe resultantes de violência doméstica, ressaltando o histórico familiar de abusos 🔗Link

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